terça-feira, 18 de março de 2014

Privacidade continua inalterada após compra pelo Facebook, garante WhatsApp

Jan Koum, criador do WhatsApp
Jan Koum, cofundador e diretor-executivo do WhatsApp, respondeu nesta segunda-feira (17) às críticas de que a compra pelo Facebook poderia afetar o sigilo das conversas e dos dados de usuários do aplicativo. "O respeito pela sua privacidade está no nosso DNA", afirmou em um post no blog da empresa.


Segundo Koum, o WhatsApp já foi criado com a concepção de que o aplicativo saiba "o menor número possível de informações" sobre seus usuários.

"Você não tem de dizer o seu nome e não perguntamos pelo seu e-mail. Não sabemos seu aniversário. Nem onde você trabalha. Não sabemos seus gostos, o que você busca, nem coletamos sua localização via GPS", escreveu Koum.

Ele prosseguiu afirmando que a empresa terá de alterar seus valores após a compra pela rede social. "No lugar disso, estamos moldando uma parceria que nos permite continuar operando independente e anonimamente."

O diretor-executivo da empresa criticou o que chamou de "especulações sem fundamento e irresponsáveis" sobre alterações na política de privacidade do aplicativo. "Isso assusta as pessoas que passam a pensar que, de repente, vamos coletar todo tipo de dado. Isso não é verdade e é importante que você saiba disso", concluiu.

A compra do WhatsApp foi anunciada no final de fevereiro pelo Facebook. A rede social pagará US$ 16 bilhões pelo WhatsApp: US$ 4 bilhões em dinheiro e aproximadamente US$ 12 bilhões em ações da rede social. A aquisição pode chegar a US$ 19 bilhões, porque prevê pagamento adicional de US$ 3 bilhões em ações, para fundadores e funcionários, nos próximos quatro anos.

Polêmica

Na última segunda-feira (10), uma organização norte-americana de proteção à privacidade enviou um documento à FTC (Comissão Federal do Comércio, na sigla em inglês) solicitando uma investigação sobre a compra do WhatsApp pelo Facebook. O objetivo do Epic (Centro de Informação da Privacidade Eletrônica) é saber qual o impacto dessa aquisição na privacidade dos usuários do aplicativo de conversas.

"O WhatsApp construiu sua base de usuários com o compromisso de não coletar dados a serem utilizados em anúncios.  [...] Os usuários forneceram informações pessoais detalhadas à companhia, incluindo textos privados com seus amigos próximos. Já o Facebook usa informações de usuários para anúncios e deixou claro que pretende incorporar os dados de clientes do WhatsApp em seu modelo de negócios", alerta o texto enviado à FTC.

Diante desse cenário, o Epic afirma que a aquisição violará a privacidade dos usuários do WhatsApp, criando uma "prática de negócios injusta e decepcionante". Daí o pedido que a FTC investigue o caso.

Até que essa preocupação seja descartada (o que garantiria a privacidade dos clientes do app), o Epic propõe a suspensão da aquisição. E, caso o negócio seja mesmo concluído, o Epic quer que o Facebook isole as informações dos usuários do WhatsApp de suas práticas de coleta de dados.

Quando anunciaram a compra, as empresas garantiram que nada mudaria para seus clientes.  "O WhatsApp continuará autônomo e operando de forma independente. [...] Não haveria parceria entre as duas empresas se tivéssemos de comprometer os princípios que sempre definirão nossa companhia, nossa visão e nosso produto", afirmou um post publicado no blog oficial do WhatsApp.


Fonte: Bol Notícias

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